Parlamentares da região norte repudiam fala de procurador do Pará que afirmou “índio não gosta de trabalhar” - DoAmapá.com Parlamentares da região norte repudiam fala de procurador do Pará que afirmou “índio não gosta de trabalhar” - DoAmapá.com

Parlamentares da região norte repudiam fala de procurador do Pará que afirmou “índio não gosta de trabalhar”



Os deputados que compõem a frente parlamentar em defesa dos povos indígenas disseram ainda que tomarão as medidas cabíveis contra o procurador.

Da Redação

A Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Indígenas, Liderança da Oposição, Frente Ambientalista, Comissão de Direitos Humanos e Minorias, Frente Parlamentar Mista em Defesa das Comunidades de Quilombos e o Fórum Permanente em Defesa da Amazônia publicaram, nessa terça, 26, uma Nota de Repúdio à declaração que consideraram “preconceituosa, racista e irresponsável” do ouvidor-geral do Ministério Público Estadual do Pará.

A declaração do ouvidor-geral do MP do estado vizinho ao Amapá, Ricardo Albuquerque, em palestra na instituição da qual faz parte, causou revolta entre parlamentares dos estados do norte, nordeste e sudeste. Ao tentar justificar a escravidão das pessoas negras no Brasil, o procurador afirmou o seguinte:

“Esse problema da escravidão aqui no Brasil foi porque o índio não gosta de trabalhar, até hoje. O índio preferia morrer do que cavar mina, do que plantar para os portugueses. O índio preferia morrer. Foi por causa disso que eles foram buscar pessoas nas tribos na África, para vir substituir a mão de obra do índio. Isso tem que ficar claro, ora!”

Para a frente parlamentar formada por deputados federais dos estados de Roraima, Espirito Santo, Amapá, Rio de Janiero, São Paulo, Pará, Maranhão e Amazonas, a fala utilizada pelo procurador reforça um argumento “manipulado com o fim específico para o qual usa: legitimar e normalizar a escravidão de um povo com base na mentira e no preconceito contra outra população, aquela que recusou submeter-se a uma cultura invasora” e que uma declaração contrária às garantias legais dos povos indígenas que devem ser defendidas, inclusive, pelo procurador em questão, expressam profundos preconceito, racismo e desconhecimento histórico, além de constituir clara afronta à Constituição Federal.

Composição da frente parlamentar. (Foto: Reprodução)

“A organização do trabalho e da produção dos povos indígenas se dá de modo diferente da cultura europeia que invadia o Brasil. Legitimamente, os povos originários se recusaram à imposição dos brancos invasores. Pagam o preço ainda hoje: perdem suas vidas, perderam sua liberdade e todas as extensões das suas terras – atos criminosos justificados com o mesmo preconceito expresso pelo procurador.”, afirmou em nota a frente parlamentar.

(Foto: Divulgação)

Em sua defesa, o procurador Ricardo Albuquerque disse que os áudios vazados com a sua fala foram tirados de contexto para tendenciar seu argumento. “O assunto era o Ministério Público como instituição e não tinha como escopo a análise de etnias ou nenhum outro movimento dessa natureza”, diz um trecho da nota de defesa.

Publicado em: 27/11/19


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